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Cuidados paliativos com humanização: o caminho para uma melhor qualidade de vida na velhice

Diego VelázquezPor Diego Velázquezagosto 4, 2026Nenhum comentário4 Mins Read1 visualizações
Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

O debate em torno dos cuidados paliativos ganha contornos cada vez mais amplos à medida que a sociedade reconhece a necessidade de acompanhar o fim da vida com dignidade e conforto. O Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, integra essa discussão ao situar a humanização da saúde como princípio central na condução de casos que envolvem doenças avançadas ou irreversíveis em pacientes idosos.

Essa abordagem se distancia de uma visão estritamente técnica do cuidado, ampliando o foco para dimensões emocionais, familiares e sociais que acompanham o processo de adoecimento. O objetivo deixa de ser apenas a estabilização clínica e passa a incluir a preservação do bem-estar em todas as suas manifestações possíveis.

O que diferencia os cuidados paliativos de outros tratamentos?

Diferente de intervenções voltadas à cura, os cuidados paliativos concentram-se no alívio de sintomas e na manutenção da qualidade de vida diante de condições que não respondem mais a tratamentos curativos. Essa distinção exige mudança de postura tanto de profissionais quanto de familiares, que muitas vezes associam a ausência de cura a uma suposta interrupção do cuidado.

Conforme evidencia o Doutor Yuri Silva Portela, o paliativismo representa justamente o oposto dessa percepção: trata-se de uma intensificação do cuidado, direcionada a controlar dor, desconforto e outros sintomas que comprometem o bem-estar do paciente em seus últimos estágios de vida. Essa reorientação de objetivos redefine o próprio conceito de sucesso terapêutico nesse contexto.

Por que a humanização se torna essencial nesse contexto?

A humanização da saúde ganha peso particular em situações que envolvem fragilidade extrema e proximidade do fim da vida. Escuta atenta, respeito às preferências do paciente e comunicação transparente com a família compõem elementos que influenciam diretamente a experiência vivida durante esse período.

Ambientes de cuidado que priorizam esses aspectos tendem a reduzir o sofrimento psicológico associado ao processo de adoecimento, tanto para o paciente quanto para quem o acompanha. Essa dimensão relacional do cuidado, embora menos mensurável que indicadores clínicos tradicionais, exerce influência significativa sobre a percepção de dignidade ao longo do tratamento.

Qual o papel da equipe multidisciplinar nesses cuidados?

Médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais costumam compor equipes responsáveis por conduzir casos de cuidados paliativos, cada um contribuindo com uma perspectiva complementar sobre as necessidades do paciente. Essa diversidade de olhares permite abordar simultaneamente questões físicas, emocionais e práticas que emergem ao longo do acompanhamento.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Yuri Silva Portela explicita que a ausência de qualquer uma dessas frentes tende a comprometer a integralidade do cuidado oferecido, já que sintomas físicos frequentemente se entrelaçam com angústias emocionais e incertezas familiares. A atuação conjunta dessas especialidades reduz a fragmentação que costuma surgir em abordagens conduzidas de forma isolada.

Como a família participa desse processo?

Familiares assumem papel ativo nos cuidados paliativos, tanto no suporte direto ao paciente quanto na tomada de decisões relacionadas ao tratamento. Essa participação exige informação clara sobre o quadro clínico e sobre as possibilidades reais de intervenção, evitando expectativas desalinhadas com a evolução da doença.

O acompanhamento psicológico direcionado à família, e não apenas ao paciente, contribui para reduzir o desgaste emocional característico desse período. Assim, reconhecer o impacto do adoecimento sobre todo o núcleo familiar amplia o alcance do cuidado humanizado para além da relação exclusiva entre profissional e paciente.

Humanização como princípio permanente de cuidado

Incorporar humanização aos cuidados paliativos não representa um recurso adicional, mas uma condição estrutural para que o acompanhamento cumpra seu propósito. Sob a perspectiva do Doutor Yuri Silva Portela, tratar sintomas sem considerar a experiência subjetiva do paciente reduz significativamente a efetividade do cuidado oferecido nesse estágio da vida.

Fortalecer esse modelo de atenção representa um compromisso contínuo com a dignidade de pacientes idosos em condições avançadas, reconhecendo que qualidade de vida permanece relevante até os momentos finais. Esse entendimento orienta práticas que colocam a experiência humana no centro de cada decisão clínica.

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