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Por que o preço dos diamantes coloridos varia tanto, na ótica de Daniel Mors

Victoria WestmontPor Victoria Westmontsetembro 10, 2026Nenhum comentário4 Mins Read0 visualizações
Daniel Mors
Daniel Mors

Segundo Daniel Mors, empresário especialista em negócios com minérios, diamantes coloridos seguem uma lógica de precificação bem diferente da usada para pedras incolores. Enquanto um diamante branco é avaliado principalmente pelos 4Cs tradicionais, um diamante colorido tem na própria cor seu fator determinante de valor. Essa diferença explica por que um diamante azul de apenas 1 quilate pode valer mais do que um diamante branco de 5 quilates, dependendo da intensidade e da raridade daquela cor específica no mercado.

O que causa a cor em diamantes que naturalmente seriam incolores?

A cor em diamantes fancy nasce de irregularidades estruturais ocorridas durante sua formação, no manto terrestre. Diamantes amarelos e laranjas surgem pela presença de nitrogênio na estrutura cristalina, que absorve luz azul. Diamantes azuis, por sua vez, contêm boro, elemento que absorve luz vermelha e resulta nesse tom específico.

Diamantes verdes seguem uma lógica diferente: sua cor não vem de elementos químicos incorporados à estrutura, mas da exposição natural à radiação ao longo de milhões de anos, ainda no subsolo. Já diamantes rosas e vermelhos, os mais raros de todos, têm origem em deformações na própria estrutura cristalina da pedra, formadas sob condições extremas de pressão, e não pela presença de um elemento químico específico, como acontece com o amarelo e o azul. 

Daniel Mors considera que entender essa origem química ajuda a explicar por que certas cores são muito mais raras do que outras: cada uma depende de uma condição geológica específica, que nem toda formação de diamante consegue reproduzir.

Por que a raridade de cada cor pesa mais que o peso da pedra?

Apenas 1 em cada 10.000 diamantes extraídos apresenta uma cor fancy reconhecida pelo mercado gemológico. Dentro dessa categoria já rara, existe ainda uma hierarquia de raridade entre as cores: o vermelho é considerado o mais raro de todos, seguido pelo azul, o roxo, o verde e o rosa, nessa ordem decrescente.

Um exemplo real ilustra bem essa lógica: o Pink Star, diamante rosa de 59,6 quilates, foi vendido por 71,2 milhões de dólares em leilão, valor que dificilmente seria alcançado por um diamante incolor do mesmo peso. Esse tipo de negociação mostra como a raridade de determinada cor consegue elevar o preço de uma pedra a patamares muito acima do que os critérios tradicionais de avaliação, aplicados a diamantes incolores, jamais explicariam sozinhos. 

Daniel Mors
Daniel Mors

Daniel Mors destaca que essa hierarquia de raridade, mais do que o peso em quilates, costuma definir o patamar de preço de um diamante colorido. Uma pedra pequena, mas de cor extremamente rara, pode superar em valor uma pedra bem maior de cor mais comum.

Como a intensidade da cor entra na avaliação?

Além da cor em si, os laboratórios de certificação avaliam a intensidade dessa coloração, usando classificações que vão de tons mais claros até graduações como fancy intense e fancy vivid, essa última reservada às cores mais vibrantes e concentradas. Diamantes com a mesma cor de base podem ter preços bem diferentes, dependendo apenas dessa intensidade.

Interferências de outras tonalidades, como cinza em diamantes azuis ou marrom em diamantes rosa, também afetam essa classificação, reduzindo o valor da pedra mesmo quando a cor principal permanece tecnicamente correta.

Para Daniel Mors, é justamente essa combinação entre origem geológica, raridade da cor e intensidade que torna a avaliação de diamantes coloridos mais complexa do que a de diamantes incolores, exigindo laudo técnico ainda mais detalhado antes de qualquer negociação.

O que considerar ao avaliar um diamante colorido?

Comprar um diamante colorido sem entender essa lógica de precificação específica costuma levar a comparações equivocadas, como julgar duas pedras coloridas apenas pelo peso, ignorando fatores que pesam muito mais no valor final.

Antes de negociar esse tipo de pedra, vale conferir o laudo técnico completo, que deve detalhar não apenas a cor predominante, mas também sua intensidade e a presença de interferências de outras tonalidades. Daniel Mors conclui que é esse nível de detalhe, mais do que a beleza aparente da pedra, que efetivamente sustenta o preço de um diamante colorido no mercado.

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