Ex-governador de Goiás acusa ministro da Secretaria-Geral da Presidência de calúnia e difamação após vídeo sobre contrato de fundação ligada ao Estado.
O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça foi sorteado como relator da queixa-crime apresentada pelo ex-governador de Goiás e pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, contra Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência. A ação foi protocolada na terça-feira (14) e distribuída a Mendonça logo em seguida. A definição do relator não significa qualquer posicionamento do STF sobre o mérito das acusações; o processo segue agora em fase de análise inicial.
O que originou a disputa judicial
A queixa-crime tem como alvo um vídeo publicado por Boulos nas redes sociais em 12 de maio, no qual o ministro relaciona contratos firmados pelo governo goiano com a Fundação Pró-Cerrado a uma investigação sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro. Na gravação, Boulos citou reportagem da Revista Fórum e mencionou um contrato de R$ 141 milhões entre a fundação e a gestão estadual à época comandada por Caiado, associando o caso a uma prisão realizada em maio em Goiânia. Naquela ocasião, o empresário Adair Meira foi detido pelas polícias civis de São Paulo e Goiás sob suspeita de usar empresas ligadas a ele para lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital.
Na petição apresentada ao STF, os advogados de Caiado argumentam que a investigação citada por Boulos apura atividades privadas de integrantes da fundação e não guarda relação com os contratos firmados entre a entidade e o Estado de Goiás. A defesa afirma que não existe qualquer imputação contra o ex-governador no caso e sustenta que o ministro construiu uma narrativa falsa de cumplicidade, especialmente por ocupar cargo federal responsável pela interlocução entre o governo e movimentos sociais, o que ampliaria o alcance de suas declarações.
Em resposta publicada em rede social, Boulos rebateu as acusações e disse que Caiado deveria também processar os veículos de imprensa que noticiaram o caso, além da própria Polícia Civil de São Paulo, responsável pela operação que resultou na prisão do empresário. O ministro reforçou que apenas repercutiu informações já divulgadas publicamente sobre o contrato entre a fundação e o governo estadual.
O momento eleitoral por trás do embate
A ação chega ao Supremo em um momento particularmente sensível para Caiado, que se apresenta como pré-candidato à Presidência pelo PSD justamente na fase que antecede as convenções partidárias, marcadas para começar na segunda-feira (20) e seguir até 5 de agosto. Em Goiás, lideranças políticas têm intensificado negociações para fechar alianças e definir as chapas estaduais, o que torna qualquer episódio de repercussão nacional envolvendo o pré-candidato ainda mais sensível para o cenário eleitoral local.
O embate entre Caiado e Boulos também se insere em um contexto mais amplo de disputa entre pré-candidatos à Presidência, que têm trocado acusações públicas sobre temas que vão da política externa à condução de investigações internas. A escolha de um relator como André Mendonça, historicamente identificado com pautas mais conservadoras dentro da Corte, tende a atrair atenção redobrada de aliados e adversários de Caiado, ainda que a distribuição do processo siga critérios apenas processuais e não represente qualquer sinalização sobre o resultado do julgamento.
Para o eleitorado goiano, o caso reacende o debate sobre a gestão de fundações e organizações sociais que prestam serviços ao Estado, tema que já havia gerado questionamentos durante a gestão estadual de Caiado. A definição de como o STF conduzirá a queixa-crime nas próximas semanas deve ser acompanhada de perto tanto por apoiadores quanto por opositores do pré-candidato, especialmente diante da proximidade do calendário eleitoral.
Independentemente do desfecho jurídico, o episódio ilustra como a disputa presidencial já se tornou palco de embates diretos entre figuras associadas a diferentes campos políticos, mesmo antes do início oficial da campanha. A repercussão em Goiás tende a se somar a outros movimentos internos do PSD e de partidos aliados, que buscam consolidar o nome de Caiado como opção viável na corrida presidencial em meio a um cenário de acusações cruzadas entre pré-candidatos.
Fonte: A Redação

