Com Ronaldo Caiado renunciando ao governo para concorrer à presidência, o estado inicia a reta final do calendário eleitoral com cenário fluido para o Palácio das Esmeraldas e duas cadeiras no Senado em jogo
A política goiana vive um momento de reacomodação que não acontecia com essa intensidade há mais de uma década. A saída de Ronaldo Caiado (PSD) do governo do estado, para disputar a presidência da República, deixou o Palácio das Esmeraldas nas mãos de Daniel Vilela (MDB) e abriu uma corrida eleitoral que já acumula múltiplas pesquisas, articulações partidárias e ao menos quatro nomes relevantes buscando posicionamento para outubro.
Os levantamentos mais recentes colocam Vilela na liderança, mas com margem que varia conforme o instituto e o cenário testado. A Genial/Quaest, com 1.104 entrevistados realizada entre 24 e 28 de abril de 2026 (registro TSE nº GO-00211/2026), mostra Vilela à frente nos três cenários estimulados, com pelo menos 12 pontos percentuais de vantagem. O instituto Gerp, em pesquisa de 14 de abril (registro TSE nº GO-09229/2026), amplia essa diferença para mais de 20 pontos. O Paraná Pesquisas, de 7 de abril (registro TSE nº GO-09885/2026), aponta o governador com pelo menos 18 pontos sobre o vice-líder Marconi Perillo (PSDB), chegando a 38 pontos de diferença em um dos cenários testados.
Perillo ainda persiste e os outros nomes ganham espaço
A presença de Marconi Perillo nas pesquisas não é apenas protocolária. O ex-governador, que comandou o estado por quatro mandatos, liderou um levantamento do instituto Exata.GO realizado em dezembro de 2025, com 33,05% contra 28,7% de Vilela, tornando-se, naquele momento, o primeiro nome a superar o atual governador em alguma medição. Desde então, Perillo recuou nas pesquisas, mas mantém presença relevante em cenários de segundo turno.
Wilder Morais (PL), senador e aliado do campo bolsonarista, aparece consistentemente em terceiro lugar, disputando com Perillo a posição de principal adversário de Vilela em eventual segundo turno. A pesquisa Real Time Big Data de maio de 2026 (1.600 entrevistados, margem de erro de 3 pontos, registro TSE nº GO-01063/2026) simulou seis cenários de segundo turno: em todos, Vilela vence Perillo e Morais. Já Perillo venceria Accorsi e empataria com Morais. A candidatura de Adriana Accorsi (PT), que representa o campo do presidente Lula no estado, completa o quadro principal da disputa.
Senado: Gracinha Caiado lidera, segunda vaga indefinida
Nas duas vagas ao Senado, as pesquisas apontam Gracinha Caiado (União Brasil), ex-primeira-dama do estado e esposa de Ronaldo Caiado, como a candidata mais bem posicionada. A segunda cadeira permanece em aberto, com disputa acirrada entre Gustavo Gayer (PL) e Zacharias Calil (MDB), segundo o Real Time Big Data de maio de 2026. O Paraná Pesquisas confirma a liderança de Gracinha na pesquisa de abril, sem definição para o segundo assento.
A composição do cenário para o Senado é relevante porque reflete as diferentes forças que disputam influência em Goiás. A possível presença de um representante do PL ao lado de Gracinha Caiado indicaria continuidade do alinhamento político que marcou o governo Caiado. A vitória de Calil, por outro lado, reforçaria o MDB de Vilela também na representação federal. Essa equação ainda será definida pelas convenções partidárias, previstas para agosto.
O peso de Brasília na política goiana
O fator Caiado projeta sua sombra sobre toda a corrida eleitoral goiana. Sua eventual candidatura à presidência, e o desempenho que terá no cenário nacional, pode influenciar tanto o piso de votos de candidatos alinhados ao seu campo quanto a capacidade de mobilização do campo adversário. Goiás é um dos estados onde a aprovação de Caiado se manteve alta até sua saída do cargo, o que cria um ativo político que seus aliados tentarão converter em votos em outubro.
Ao mesmo tempo, o governo Lula busca ampliar sua presença no estado por meio de obras federais, programas sociais e a candidatura de Accorsi, que representa uma aposta do PT em um território historicamente hostil ao partido. A disputa em Goiás é, portanto, um microcosmo das tensões que vão definir o quadro político nacional: o embate entre o campo conservador estadual, o bolsonarismo organizado e a esquerda federal.
Articulações, coligações e o tempo que ainda falta
Com convenções marcadas para agosto e o prazo de candidaturas se encerrando logo depois, os próximos dois meses serão decisivos para definir quem vai ou não vai à corrida oficial. Hoje, o cenário eleitoral goiano ainda carrega mais incertezas do que certezas: Vilela lidera, mas ainda não tem o apoio consolidado de todos os campos que compunham a base de Caiado. Perillo tenta reconquistar espaço em um PSDB fragilizado nacionalmente. E Wilder Morais aguarda a definição sobre se Bolsonaro indicará apoio formal a candidatos estaduais ou se o PL concorrerá de forma independente em todo o país.
O eleitor goiano, por ora, segue assistindo à movimentação. As pesquisas são fotografias de um momento ainda distante do dia em que as urnas falarão. O que já está claro é que outubro de 2026 será um dos pleitos estaduais mais observados do Brasil, por tudo que representa geográfica, política e simbolicamente para o reordenamento das forças nacionais.
Fontes: Gazeta do Povo: Pesquisa Genial/Quaest para Goiás | Gazeta do Povo: Real Time Big Data Goiás | CartaCapital: Paraná Pesquisas Goiás | Metrópoles: Pesquisa Exata GO
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

