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Brasil

Goiânia busca R$ 580 milhões em fundo federal para combater alagamentos históricos

Diego VelázquezPor Diego Velázquezjulho 29, 2026Nenhum comentário5 Mins Read1 visualizações

Prefeitura quer contratar crédito pelo Fundo Clima, do governo federal, para reconstruir a Marginal Botafogo e criar bacias de contenção

A Prefeitura de Goiânia revelou detalhes de um plano ambicioso para tentar resolver, de uma vez por todas, um problema que se repete todos os anos na capital goiana: os alagamentos. O prefeito Sandro Mabel confirmou que pretende contratar uma operação de crédito de R$ 580 milhões junto ao Fundo Clima, linha de financiamento do governo federal voltada à adaptação das cidades às mudanças climáticas. Para quem já enfrentou ruas alagadas ou viu bairros isolados depois de fortes chuvas em Goiânia, a dúvida mais comum é entender de onde viria esse dinheiro e o que, na prática, vai mudar nas regiões mais afetadas da cidade.

O Fundo Clima é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e operado pelo BNDES, e financia projetos de mitigação de gases do efeito estufa e de adaptação climática em todo o país. Segundo o secretário da Fazenda de Goiânia, Oldair Marinho, a taxa de juros dessa linha giraria em torno de 7% ao ano, um valor bem abaixo do praticado no mercado financeiro convencional. Ele afirmou que o projeto de lei para viabilizar a contratação do crédito deve ser enviado em breve à Câmara Municipal. Fonte: Jornal Opção.

Antes de chegar a esse valor, o processo ainda precisa passar por diferentes etapas de aprovação, incluindo o aval da própria Câmara Municipal, do BNDES, do Tesouro Nacional e do Senado Federal. A prefeitura estima que essa tramitação pode levar mais de um ano até a liberação efetiva dos recursos, o que significa que as obras mais estruturantes do plano não devem começar de imediato, mesmo com o anúncio já confirmado pelo prefeito.

Segundo Mabel, a obra mais cara prevista dentro desse pacote de investimentos é a reconstrução completa da Marginal Botafogo, uma das principais vias afetadas por enchentes na capital. Além dela, o plano prevê a construção de novas bacias de contenção em regiões consideradas críticas, como os córregos Capim Puba e Cascavel. O prefeito explicou que o represamento do Capim Puba, agravado pela elevação do nível do Rio Meia Ponte em períodos de chuva intensa, ajuda a explicar os alagamentos recorrentes em bairros como a Vila Roriz.

O que diz o plano técnico por trás do investimento

Todo o pacote de obras está baseado no Plano Diretor de Drenagem Urbana de Goiânia, conhecido pela sigla PDDU-GYN, documento elaborado pela Universidade Federal de Goiás em parceria com a Defesa Civil e outros órgãos municipais. Segundo o coordenador do plano, o professor da UFG Klebber Formiga, a estratégia adotada vai além de simplesmente aumentar galerias e canais de escoamento. Fonte: Portal 6.

De acordo com Formiga, ampliar um bueiro ou uma ponte sem planejamento pode simplesmente transferir o problema do alagamento para o ponto seguinte do curso d’água, sem resolver a causa real da enchente. A proposta técnica do PDDU-GYN é reter o volume de água antes que ele chegue a provocar transbordamentos, por meio de estruturas como jardins de chuva, pavimentos permeáveis e reservatórios de detenção espalhados por diferentes pontos da cidade.

O plano também prevê uma frente voltada à gestão e aos dados, com a instalação de pluviógrafos e linígrafos para monitorar em tempo real o volume de chuva e o nível dos rios da capital. Essas informações devem alimentar sistemas de alerta e planos de contingência, criados justamente para dar mais tempo de resposta à Defesa Civil e aos moradores de áreas de risco antes que uma enchente efetivamente aconteça.

Um ponto que chamou atenção durante o levantamento técnico foi a constatação de ligações irregulares de esgoto na rede de drenagem pluvial da cidade. Mesmo com a legislação brasileira prevendo redes separadas para esgoto e águas da chuva, Formiga afirmou que diversos pontos de Goiânia ainda misturam os dois sistemas, o que compromete tanto o escoamento das águas quanto a qualidade dos córregos urbanos.

Por que Goiânia se tornou prioridade em programas federais de adaptação climática

O histórico de desastres relacionados a chuvas ajuda a explicar por que Goiânia passou a buscar esse tipo de financiamento federal. Segundo o Atlas Digital de Desastres no Brasil, o estado de Goiás registrou 311 desastres entre 1991 e 2022, com 9 mortes, cerca de 14,2 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas e mais de 8 milhões de pessoas afetadas ao longo desse período. Os prejuízos somados chegaram a aproximadamente R$ 789,45 milhões em danos diretos e R$ 1,53 bilhão em perdas econômicas.

Além do pedido de crédito pelo Fundo Clima, Goiânia também foi selecionada recentemente em um programa internacional de ação climática, com apoio da Bloomberg Philanthropies e do próprio Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, que pode viabilizar até R$ 500 milhões adicionais para projetos de drenagem urbana, arborização e gestão de resíduos sólidos, caso as etapas de análise sejam concluídas com sucesso pela administração municipal.

Formiga defende ainda a aprovação de uma legislação municipal específica, a chamada Lei de Drenagem de Goiânia, que exigiria que novos empreendimentos armazenem parte da água da chuva dentro dos próprios lotes antes de despejá-la na rede pública. Para o professor, essa regulamentação pode ser tão importante quanto as próprias obras de infraestrutura, já que reduz a pressão sobre o sistema de drenagem da cidade antes mesmo que a água chegue às galerias.

Se aprovado em todas as instâncias, o financiamento de R$ 580 milhões representaria um dos maiores investimentos já direcionados especificamente à drenagem urbana da capital goiana, em uma tentativa de reverter décadas de alagamentos que afetam moradores de diferentes regiões da cidade a cada temporada de chuvas.

Fontes consultadas: Jornal Opção, Portal 6, Jornal Opção – reportagem especial

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