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Tecnologia

CEIA da UFG e Meta lançam programa nacional para criar aplicativos de óculos com inteligência artificial

Victoria WestmontPor Victoria Westmontjulho 29, 2026Nenhum comentário5 Mins Read7 visualizações

Iniciativa goiana vai capacitar desenvolvedores de todo o país para criar experiências com os AI Glasses da empresa

Goiás voltou a ganhar destaque no cenário nacional de tecnologia com o lançamento do Programa AI Glasses Brasil, uma parceria entre o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA), ligado à Universidade Federal de Goiás (UFG), e a Meta, dona do Facebook e do Instagram. A iniciativa é a primeira ação nacional de treinamento e desenvolvimento realizada pelo CEIA em parceria com a empresa para explorar as possibilidades dos óculos equipados com inteligência artificial, e reforça o papel de Goiânia como um dos principais polos de pesquisa em IA do país.

Para quem não acompanha de perto o mercado de tecnologia vestível, fica a dúvida sobre o que exatamente esses óculos inteligentes fazem e por que uma universidade goiana foi escolhida para liderar um programa de alcance nacional ao lado de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. A resposta passa pela trajetória do CEIA nos últimos anos e pelo crescimento do mercado global de dispositivos vestíveis com inteligência artificial embarcada.

Batizado de Programa AI Glasses Brasil, o projeto é aberto a desenvolvedores, pesquisadores, estudantes e demais profissionais de tecnologia de todo o país. As inscrições ficaram abertas ao longo do mês de julho, e os participantes selecionados terão acesso ao Meta Wearables Device Access Toolkit, a ferramenta oficial da empresa que permite integrar aplicativos de celular aos recursos dos óculos inteligentes, como câmera, microfone, reprodução e captura de áudio e comandos de voz. Fonte: Jornal Opção.

A proposta do programa não é apenas usar os óculos como uma extensão do celular, mas desenvolver experiências nas quais a inteligência artificial consiga interpretar informações captadas pelo dispositivo e responder ao usuário em tempo real. Entre as possibilidades exploradas estão recursos de acessibilidade, identificação de objetos e consulta de informações por comando de voz, aplicações que podem ter impacto direto na rotina de pessoas com deficiência visual, por exemplo.

Como funciona o programa e quem pode participar

O Programa AI Glasses Brasil foi estruturado em três etapas. A primeira consiste em uma capacitação técnica online sobre o ecossistema dos AI Glasses e o desenvolvimento de aplicações para a plataforma, aberta a qualquer interessado que atenda aos requisitos básicos de inscrição. Em seguida, os participantes selecionados avançam para um Ideathon online, com palestras, oficinas e mentorias voltadas ao aprimoramento dos projetos apresentados.

As equipes finalistas participam de um hackathon presencial na sede da Meta, em São Paulo, previsto para setembro, onde têm acesso direto aos dispositivos e acompanhamento técnico da equipe da empresa. As equipes devem ter três integrantes, e pelo menos um deles precisa ter experiência em desenvolvimento para Android, com Kotlin, ou para iOS, com Swift, já que o conhecimento técnico em programação mobile é pré-requisito para lidar com o toolkit disponibilizado pela Meta.

As soluções desenvolvidas ao longo do programa devem se encaixar em uma das seis trilhas temáticas definidas pela iniciativa: acessibilidade, informação, bem-estar, cultura, produtividade e criatividade. Ao final do processo, os projetos são apresentados e avaliados por uma banca, o que dá ao programa um formato parecido com o de uma competição de inovação, mas com foco declarado em gerar aplicações reais para o mercado de óculos inteligentes.

Por que Goiás se tornou referência nacional em inteligência artificial

O CEIA nasceu há apenas seis anos dentro da UFG, mas seu crescimento chamou atenção do setor de tecnologia no Brasil. O centro conta hoje com mais de 1,1 mil pesquisadores e cerca de 90 projetos ativos, aplicando inteligência artificial em áreas como saúde, educação, agronegócio, indústria e gestão pública. Esse volume de produção acadêmica e de parcerias com o mercado ajuda a explicar por que a Meta escolheu o centro goiano como parceiro para um programa de alcance nacional.

Mais de 60 empresas de diferentes setores do país já mantêm parcerias com o CEIA, entre elas nomes como Globo, Positivo Tecnologia e WEG, o que reforça a posição do centro como uma ponte entre a pesquisa acadêmica desenvolvida em Goiás e as demandas práticas do mercado de tecnologia. Recentemente, os fundadores do centro, os professores Telma Woerle e Anderson Soares, receberam a Ordem do Mérito Anhanguera, a maior honraria concedida pelo governo do estado, em reconhecimento direto a essa trajetória de consolidação de Goiás como um polo de inovação em inteligência artificial na América Latina.

Esse reconhecimento também está associado à estratégia do governo estadual de tratar a inovação como política pública, incluindo iniciativas como a criação de um distrito voltado especificamente para inovação e inteligência artificial em Goiás. Para o desenvolvedor goiano ou de qualquer outra parte do país que se interessa pelo tema, o Programa AI Glasses Brasil representa uma oportunidade concreta de acessar tecnologia de ponta e treinamento especializado sem custo, algo que dificilmente estaria disponível fora de grandes centros como São Paulo se não fosse pela atuação do CEIA.

Fontes consultadas: Jornal Opção, ConvergênciaDigital, A Redação

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