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Monitoramento aponta retração do fogo no Cerrado de Goiás em 2026

Redação Jornal GOPor Redação Jornal GOoutubro 28, 2026Nenhum comentário4 Mins Read0 visualizações
Chamas e fumaça avançam entre árvores durante um incêndio florestal.

A extensão territorial atingida por incêndios em Goiás diminuiu de forma expressiva em 2026, segundo dados divulgados em 6 de outubro pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad). O levantamento aponta que aproximadamente 304,9 mil hectares foram afetados pelo fogo no estado, contra cerca de 816 mil hectares no mesmo intervalo do ano anterior.

A diferença representa uma redução superior a 62% na área queimada. No Nordeste goiano, o recuo foi ainda maior: 70,59%, conforme os números apresentados pela secretaria. O resultado coloca a região entre os principais pontos de atenção do monitoramento ambiental no estado, especialmente por sua relevância para a conservação do Cerrado e para a proteção dos recursos naturais.

Dados foram obtidos por monitoramento de satélites

Os números divulgados pela Semad têm como base um levantamento do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ). A utilização de imagens e informações obtidas por satélite permite acompanhar a distribuição do fogo em grandes áreas e comparar diferentes períodos de ocorrência de incêndios.

Esse tipo de acompanhamento é importante porque Goiás possui uma extensa área de Cerrado, bioma que atravessa municípios do interior e está diretamente ligado à produção rural, à manutenção de nascentes e à formação de rios. Ao registrar a área afetada, o monitoramento ajuda a dimensionar a ocorrência do fogo e oferece subsídios para ações de prevenção, fiscalização e combate.

A comparação apresentada considera o mesmo intervalo entre os dois anos. Por isso, o dado não representa necessariamente o resultado de todo o calendário de 2026, mas uma fotografia do período analisado. Ainda assim, a diferença entre os cerca de 816 mil hectares registrados no ano anterior e os 304,9 mil hectares contabilizados em 2026 evidencia uma mudança relevante na extensão das áreas atingidas.

Nordeste goiano tem queda acima da média estadual

O Nordeste de Goiás apresentou redução de 70,59% na área atingida pelo fogo, percentual superior ao resultado estadual. A região reúne áreas de vegetação nativa do Cerrado e municípios associados a atividades rurais e ao turismo, especialmente no entorno da Chapada dos Veadeiros.

A diminuição registrada nessa parte do estado pode contribuir para reduzir a pressão sobre ambientes naturais, propriedades rurais e comunidades que convivem com os efeitos da estiagem e dos incêndios. A ocorrência de queimadas pode afetar a qualidade do ar, a fauna, a vegetação e os recursos hídricos, além de criar dificuldades para deslocamentos e atividades econômicas durante os períodos mais secos.

Apesar do avanço indicado pelos dados, a redução não deve ser atribuída exclusivamente a uma única medida. O levantamento mostra a variação da área queimada, mas não estabelece, por si só, uma relação causal isolada. O resultado deve ser analisado em conjunto com fatores como as condições climáticas do período, o comportamento do fogo e as ações de prevenção e resposta adotadas em diferentes regiões.

Prevenção continua sendo necessária

O monitoramento por satélite também tem função estratégica para orientar a atuação dos órgãos ambientais. Com informações sobre a localização e a dimensão dos focos, as equipes podem identificar áreas de maior risco, acompanhar a evolução dos incêndios e direcionar esforços de fiscalização e combate ao uso irregular do fogo.

Para a população, a redução da área afetada representa um sinal positivo, mas não elimina os riscos associados à temporada de estiagem. A preservação do Cerrado depende da continuidade de medidas que evitem a propagação de incêndios e diminuam a pressão sobre áreas de vegetação nativa, propriedades rurais e unidades de conservação.

Em Goiás, os dados divulgados pela Semad reforçam a importância de acompanhar a evolução das queimadas por recortes territoriais. A queda estadual superior a 62% e o recuo de 70,59% no Nordeste goiano fornecem referências para avaliar o comportamento do fogo em 2026 e para planejar ações ambientais nos próximos períodos de seca.

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