Tiago Schietti, empresário do setor cemiterial e funerário, inicia e explica que as mudanças culturais e demográficas vêm reformulando hábitos antes cercados de tabus e resistência, alterando a forma como as novas gerações encaram o planejamento funerário. Esse movimento se conecta a transformações mais amplas no comportamento das famílias brasileiras, que passaram a tratar com maior naturalidade temas antes evitados, incorporando o planejamento antecipado a uma lógica de organização de vida semelhante à adotada em outras decisões financeiras e patrimoniais.
A combinação entre maior acesso à informação e mudanças no perfil etário da população tende a consolidar essa nova postura nos próximos anos. Quer saber mais? Leia o conteúdo até o fim e confira!
Por que as novas gerações encaram o planejamento funerário de forma diferente?
Diferentemente de gerações anteriores, que evitavam discutir abertamente temas relacionados à morte e ao planejamento funerário, parte significativa do público mais jovem passou a tratar o assunto com maior naturalidade. Esse movimento acompanha uma tendência mais ampla de planejamento de vida, em que decisões financeiras, patrimoniais e familiares são organizadas com antecedência, reduzindo incertezas para os familiares.
A maior circulação de informação sobre o tema, somada à influência de discussões públicas em diferentes mídias, tem contribuído para normalizar conversas sobre planejamento funerário dentro das famílias. Esse processo de desmistificação representa uma mudança cultural relevante, com impacto direto na forma como empresas do setor estruturam sua comunicação e seus serviços.
Tiago Schietti analisa que essa transformação cultural não elimina a sensibilidade do tema, mas cria espaço para que ele seja tratado com mais clareza, permitindo decisões mais conscientes por parte das famílias.
Como o envelhecimento populacional influencia esse novo comportamento?
O envelhecimento da população brasileira tem papel direto na ampliação do interesse pelo planejamento antecipado. Famílias com membros mais velhos passam a considerar, com maior frequência, a organização prévia de aspectos relacionados ao sepultamento ou à cremação, buscando reduzir o peso emocional e burocrático no momento da perda.
Esse fenômeno também se conecta a mudanças na estrutura familiar brasileira, marcada por núcleos menores e maior dispersão geográfica entre parentes. Em famílias mais distantes fisicamente, o planejamento antecipado se torna ainda mais relevante, já que reduz a necessidade de decisões rápidas tomadas sob pressão emocional e logística.
A combinação entre envelhecimento populacional e mudanças estruturais nas famílias cria um cenário propício para a consolidação do planejamento antecipado como prática cada vez mais comum, exigindo que empresas do setor adaptem seus serviços a essa nova realidade.
Sob a perspectiva de Tiago Schietti, esse cenário reforça a necessidade de que as empresas acompanhem de perto as mudanças demográficas e familiares, ajustando seus serviços a um público cada vez mais diverso em termos de estrutura e expectativas.
Abertura ao diálogo sobre a morte altera práticas e expectativas familiares
A ampliação do acesso à informação, somada à maior abertura para discutir temas sensíveis, tem alterado significativamente a relação das famílias com a morte. Práticas de memorialização mais personalizadas, valorização de cerimônias que reflitam a identidade do falecido e busca por serviços que respeitem preferências individuais tornaram-se cada vez mais comuns.

Esse movimento reflete uma transição cultural mais ampla, em que rituais fúnebres deixam de seguir padrões rígidos e passam a incorporar elementos de personalização, refletindo valores, crenças e histórias de vida específicas. Empresas que conseguem se adaptar a essa diversidade de demandas tendem a se destacar em um mercado cada vez mais sensível a esse tipo de diferenciação.
Na avaliação do empresário do setor cemiterial e funerário, Tiago Schietti, essa transformação cultural representa uma oportunidade para que o setor funerário evolua em direção a serviços mais personalizados, capazes de atender expectativas cada vez mais diversas por parte das famílias brasileiras.
Empresas funerárias devem investir em comunicação clara e respeitosa para atender novo perfil de consumidor
Empresas do setor funerário precisam investir em comunicação clara, transparente e respeitosa para acompanhar essa mudança de comportamento. A oferta de informações detalhadas sobre opções de planejamento, sem apelo comercial excessivo, tende a gerar maior confiança entre famílias que buscam tomar decisões conscientes.
A capacitação de equipes para lidar com um público mais informado e exigente também se torna essencial, já que consumidores mais conscientes tendem a fazer perguntas mais específicas e a valorizar empresas capazes de oferecer respostas técnicas e bem fundamentadas.
Diante dessas transformações, compreender o comportamento do consumidor deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade estratégica para empresas que desejam se manter relevantes em um mercado funerário cada vez mais dinâmico e culturalmente diverso, indica Tiago Schietti. Para famílias que desejam iniciar esse processo de planejamento com mais segurança, buscar informações junto a especialistas reconhecidos do setor pode facilitar decisões mais conscientes e tranquilas.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

