Como considera o CEO Ian Cunha, uma saúde baseada em evidências é essencial para decisões clínicas e políticas públicas, mas o valor da ciência diminui quando a comunicação falha. Em muitos temas de saúde, a maior barreira não é falta de informação, e sim excesso de ruído: mensagens contraditórias, tom moralista, promessas milagrosas e desconfiança institucional.
Comunicar evidência não é repetir termos técnicos. É traduzir probabilidade em entendimento, risco em decisão e incerteza em orientação prática sem perder honestidade. O desafio é falar com clareza sem simplificar demais, e falar com rigor sem soar distante. Se você quer entender como comunicar ciência com clareza e respeito, sem afastar o público, continue a leitura.
Por que o público se afasta quando a linguagem falha?
A ciência trabalha com nuances. O público, muitas vezes, busca certeza. Esse desencontro cria frustração. Quando a comunicação promete certeza onde só há probabilidade, a confiança cai assim que surgem exceções. Por outro lado, quando a comunicação se apoia em jargão, ela exclui e cria sensação de superioridade, o que também afasta.

Além disso, como aponta o fundador Ian Cunha, há o efeito da experiência pessoal. Pessoas dão mais peso ao que viveram do que ao que ouviram. Se a mensagem ignora experiências e apenas impõe “o correto”, ela é recebida como ataque. Portanto, comunicar saúde baseada em evidências exige reconhecer emoções e contextos sem abandonar o rigor.
Credibilidade não é dureza: Clareza e empatia como parte do método
Como considera o superintendente geral Ian Cunha, existe a ideia de que comunicar ciência exige frieza. Na prática, a credibilidade melhora quando a mensagem é clara e humana. Isso inclui explicar por que uma recomendação existe, quais são seus benefícios mais prováveis e quais são suas limitações. Transparência, aqui, é um recurso persuasivo. Ela não enfraquece a ciência; ela fortalece a confiança.
Saúde baseada em evidências também exige consistência. Mensagens que mudam de tom a cada semana, ou que parecem contraditórias sem explicação, alimentam a desconfiança. Como resultado, as pessoas passam a buscar fontes alternativas, muitas vezes menos confiáveis, porque essas fontes oferecem certezas simples.
Comunicar risco sem pânico e sem banalização
Risco é difícil de comunicar porque ele não é absoluto. Ele é relativo. O público tende a interpretar risco como destino, e isso pode gerar medo ou negação. A comunicação baseada em evidências precisa mostrar proporção: o que é mais provável, em quais cenários, com quais sinais de alerta.
Ao mesmo tempo, é necessário evitar a banalização. Quando se diz que “não é nada”, parte do público se sente enganada ao enfrentar sintomas ou complicações. Logo, o equilíbrio está em orientar sem dramatizar, e em alertar sem paralisar.
Menos confronto, mais referência
A desinformação cresce em ambientes de ansiedade. Em saúde, ansiedade é frequente. Uma comunicação eficaz não precisa humilhar quem acredita em algo errado; ela precisa oferecer uma referência segura e acessível. Como alude o CEO Ian Cunha, um confronto direto pode gerar resistência, porque toca identidade e orgulho.
Por conseguinte, o caminho mais efetivo costuma ser reforçar o que é verificável, explicar o mecanismo com simplicidade e mostrar por que certas promessas são improváveis. Em última análise, a comunicação baseada em evidências ganha quando constrói ponte, não quando constrói muro.
Comunicar ciência sem afastar é ampliar impacto
Como conclui o fundador Ian Cunha, uma saúde baseada em evidências depende de boa comunicação para gerar adesão, confiança e impacto real. Rigor científico não exige linguagem inacessível, e empatia não exige abrir mão de precisão. O que funciona é transparência, clareza e respeito ao contexto do público.
Quando a ciência é comunicada de forma humana, ela deixa de parecer imposição e passa a ser ferramenta. E, em saúde pública, ferramentas confiáveis salvam tempo, reduzem sofrimento e melhoram decisões.
Autor: Willyam Bouborn Silva

